sábado, 25 de julho de 2015

ENTENDENDO UM POUCO A CRISE ATUAL.

Um dos grandes marcos do Capitalismo Financeiro foi o processo de financeirização da economia, em que as ações de empresas, as dívidas no mercado e as especulações tornaram-se mercadorias regidas pelas leis do mercado, como a da livre concorrência e a lei da oferta e da procura. Uma crise financeira, por sua vez, é a emergência de problemas graves e estruturais nessa lógica do sistema.
A crise financeira global, mais precisamente aquela iniciada em 2008 no mercado imobiliário dos Estados Unidos e que se espalhou mundo afora nos anos seguintes, afetando principalmente a Europa, foi uma crise especulativa, em que dívidas e títulos baseados em especulações perderam repentinamente o seu valor. Para compreender todas as etapas desse processo, primeiro é preciso entender a quebra do setor imobiliário norte-americano, costumeiramente chamada de crise de 2008.
A crise de 2008
Apesar de ser comumente tida como uma crise que estourou em 2008, foi em 2007 que ela teve início, pois foi quando o mercado imobiliário norte-americano começou a despencar em termos de valorização, ou seja, o preço dos imóveis nos Estados Unidos estava caindo vertiginosamente, o que estava começando a gerar um efeito cascata em toda a economia.
Tudo começou porque, em 2001, com o objetivo de impulsionar o consumo e a dinâmica do mercado, o governo norte-americano começou a ceder mais crédito, diminuindo os juros e incentivando os empréstimos financeiros. Tal ação ganhou uma grande proporção no mercado imobiliário, pois, com mais créditos e empréstimos disponíveis a juros baixos, as pessoas começaram a investir em imóveis, mas não necessariamente para morar, mas simplesmente para vender mais caro depois e conseguir lucro. É o que chamamos de especulação imobiliária.
Com muita gente querendo comprar casa, não era de se admirar que o preço delas tenha se elevado rapidamente. Em poucos anos, era possível comprar uma nova casa apenas com a especulação tida com o imóvel anterior, era um excelente negócio. Com isso, o mercado de hipotecas ampliou-se e empréstimos para a compra de casas eram concedidos tendo como garantia a própria casa. No fim das contas, era até melhor que a hipoteca não fosse paga, pois o credor ficaria com um bem que estava cada vez mais caro e, portanto, mais valorizado.
Muitas empresas começaram a comprar essas hipotecas dos bancos e a negociá-las no mercado como se fossem uma mercadoria comum. Duas dessas empresas ficaram, mais tarde, muito famosas por isso: Fannie Mae e a Freddie Mac. Elas compravam as dívidas hipotecárias dos bancos (chamadas de subprimes ou “créditos podres”) a fim de obter rápido lucro com elas, negociando-as ou até recebendo o pagamento dessas dívidas.
Com a empolgação do mercado imobiliário, mais e mais casas foram sendo construídas e créditos foram concedidos até mesmo para famílias de baixa renda e sem nenhum tipo de garantia. Com mais casas disponíveis, a tendência foi uma diminuição de seus preços, ou seja, desvalorização, fazendo com que os lucros fossem menores ou que prejuízos acontecessem, o que se agravou com os vários calotes realizados nas hipotecas. Assim, os valores imobiliários despencaram vertiginosamente em 2007 e, principalmente, em 2008, difundindo a crise. A Fannie Mae e a Freddie Mac quebraram nesse mesmo ano, e vários bancos foram junto, com destaque para o Lehman Brothers.
A crise econômica europeia
É praticamente consenso que a crise da Europa, especialmente na zona de euro, nada mais é do que uma extensão da crise imobiliária dos Estados Unidos de 2008. E a razão para isso é simples: a globalização. O que ocorreu é que os subprimes foram negociados em todo o mundo, envolvendo investidores principalmente oriundos de países desenvolvidos, com destaque para a União Europeia. Com a falência do mercado, esses investidores e tudo o que deles dependia também foram afetados.
Para evitar a quebra dos bancos, muitos governos gastaram muito para socorrê-los e evitar uma recessão ainda mais aguda, o que elevou a dívida pública e o deficit desses países, aumentando o risco de calotes da dívida por parte de muitos governos. Alguns desses, em especial, viviam uma situação mais grave, eram os chamados PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha), sigla que faz alusão à palavra “porcos” (pigs, em inglês).
E o que um país faz quando está endividado e com a economia em recessão? Mais dívidas! Foram contraídos empréstimos no FMI, Banco Mundial e UE que exigiram, em contrapartida, o corte de gastos com a máquina pública, o enxugamento de salários e diminuição de investimentos. O problema foi que isso gerou mais estagnação econômica, pois o mercado consumidor ficou menos ativo e os lucros diminuíram, agravando o quadro. A tudo isso se somaram as greves e protestos da população que não aceitava as medidas impostas pelos organismos internacionais, chamadas de medidas de austeridade. Na Espanha, por exemplo, o desemprego subiu vertiginosamente a partir de 2011.
Os Estados Unidos, da mesma forma, também sofreram com a elevação da dívida, o que obrigou o país até mesmo a elevar o teto da dívida pública, gerando uma grande discussão política em torno da aprovação dessa resolução que, caso não fosse aprovada, geraria um grande calote do governo estadunidense e, aí sim, uma crise global sem igual ocorreria. Nesse caso, seriam milhares de credores fincando a ver navios! Com sorte, a resolução foi aprovada, e os Estados Unidos (e outros países) seguem atualmente na tentativa de ampliar o emprego e os investimentos na economia.
O curioso é que essa crise afetou, em grande parte, os países desenvolvidos e os subdesenvolvidos mais dependentes. As chamadas “economias emergentes”, tais como o Brasil, a Rússia e a China, sentiram em menores escalas esses efeitos, muito em função de seus elevados fundos de reserva e os investimentos realizados com esses fundos. Além disso, esses países conseguiram aumentar o emprego e a atuação de seus amplos mercados consumidores, dinamizando, assim, suas economias internas. No entanto, a crise ainda não se encerrou e todo cuidado é pouco!

 Por Me. Rodolfo Alves Pena

FONTE:http://www.brasilescola.com/geografia/crise-financeira-global.htm

Entenda a crise econômica mundial

Conheça os cinco pontos que ajudam a explicar a turbulência nos mercados financeiros

Danielle Assalve, iG São Paulo |
 
 
O problema da dívida em países na zona do euro “está assustando o mundo”, nas palavras do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Embora esteja no foco das atenções dos investidores, a turbulência na Europa é apenas parte da crise econômica mundial .

Permanecem no radar o elevado nível de endividamento público americano, a fragilidade das instituições financeiras em diversos países e os claros sinais de desaceleração da economia mundial.
O iG conversou com especialistas em economia internacional e selecionou cinco pontos fundamentais para entender a crise. Veja a seguir:
1- Mais do mesmo
“Na verdade, não estamos vivendo uma nova crise mundial. A crise é a mesma que teve início em 2008, estamos só em uma nova fase”, afirma Antonio Zoratto Sanvicente, professor do Insper.

Getty Images
Operador da bolsa de Nova York acompanha com desespero o desempenho das ações
Naquele ano foi deflagrada a crise das hipotecas imobiliárias nos Estados Unidos, com a quebra do banco Lehman Brothers. Basicamente, os problemas começaram porque as instituições financeiras emprestaram dinheiro demais para quem não podia pagar. Isso levou à falência de bancos e à intervenção governamental para evitar o colapso do sistema financeiro e uma recessão mais aguda.
Ao injetar recursos em bancos e até em empresas, no entanto, os governos aumentaram seus gastos, em um momento em que a economia mundial seguia encolhendo. O resultado não poderia ser outro: aprofundamento do déficit público, que em muitos países já era bastante elevado.
Na Grécia, por exemplo, a crise de 2008 ajudou a exacerbar os desequilíbrios fiscais que o país já apresentava desde sua entrada na zona do euro, diz o economista Raphael Martello, da Tendências Consultoria.

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2- Europa endividada

Faz quase dois anos que a crise da dívida soberana em países da União Europeia tem sido discutida nos mercados financeiros. Mas foi nos últimos meses que o problema veio à tona com mais intensidade e se tornou um dos maiores desafios que o bloco já enfrentou desde a adoção do euro em 2002.
AFP
Mulher pede esmolas em Dublin; Irlanda tem a maior dívida pública do mundo
Além da Grécia, países como Portugal, Irlanda, Itália e Espanha sofrem os efeitos do endividamento descontrolado e buscam apoio financeiro da zona do euro e do Fundo Monetário Internacional. Para receber ajuda, no entanto, precisam adotar medidas de “austeridade fiscal” que, na prática, significam enxugar os gastos públicos, por meio do corte de benefícios sociais e empregos, por exemplo, e elevar a arrecadação por meio de impostos.
O problema é que essas medidas deprimem ainda mais a economia e geram descontentamento, greves e manifestações. Nas últimas semanas, os movimentos populares têm se intensificado especialmente na Grécia.
Em meio ao clima de instabilidade e discussão até mesmo sobre a manutenção desses países na zona do euro, o parlamento alemão aprovou a ampliação do fundo de socorro europeu para um total de 440 bilhões de euros.

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3- Enquanto isso, nos Estados Unidos
O déficit público americano já vinha crescendo vertiginosamente nos anos 2000, respondendo em parte aos gastos exorbitantes com a guerra do Iraque, em 2003, e às perdas causadas pelo furacão Katrina, em 2005. “Já existia um problema estrutural, mas com a crise em 2008 o governo injetou muito recurso nos bancos e empresas e isso levou a um sério aprofundamento do déficit”, afirma Martello.
AFP
Corretor da Bolsa de Nova York sofre em mais uma pregão difícil para os mercados
O resultado é que a dívida saiu de controle. Nos últimos meses, essa situação criou a necessidade de elevar o limite de endividamento público do país, para evitar que fosse decretado um calote. Isso levou a um prolongado embate político entre democratas e republicanos, que gerou enorme estresse nos mercados financeiros e levou a agência de classificação de risco S&P a rebaixar a nota de crédito americana no começo de agosto. Para piorar o cenário, os números revisados do PIB americano no primeiro e segundo trimestre apontam para desaceleração da economia, que também enfrenta altos índices de desemprego.
Enquanto isso, a disputa política segue firme nos Estados Unidos, desta vez em torno da aprovação de um pacote proposto por Obama para estimular a geração de empregos no país.
Na avaliação do professor José Márcio Camargo, da PUC-RJ, “a proposta do presidente Barack Obama de desoneração de impostos deve passar no Congresso americano, mas o aumento de gastos em infraestrutura para estimular a economia não deve ter aprovação da maioria. A briga entre políticos, que reprovam os programas de incentivo financeiro, e o Fed, o Banco Central dos Estados Unidos, pode comprometer a independência da instituição.”

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4- Bancos em risco
A fragilidade do sistema financeiro na Europa e Estados Unidos continua a tirar o sono dos investidores. Se em 2008 os bancos, principalmente americanos, sofreram com a exposição a hipotecas de alto risco, desta vez, instituições de ambos os lados do Atlântico sentem os efeitos da exposição a títulos da dívida soberana de países europeus.
Getty Images
City, o centro financeiro de Londres; bancos sofrem com exposição a títulos da dívida europeia
É o caso dos bancos franceses, bastante expostos a títulos públicos da Grécia – país que busca com urgência nova parcela de resgate para evitar o calote. Alguns estudos tentam estimar o volume total de recursos que seria necessário para recapitalizar os bancos europeus em caso de um default da Grécia ou mesmo de outros países, como Portugal.
Mas economistas afirmam que não é possível saber exatamente o tamanho do rombo, pois além dos títulos públicos, os bancos também estão expostos a seguros contra a dívida.
Por não ser negociado em mercado formal, ninguém sabe ao certo quanto os bancos perderiam com esses seguros.

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5- Mundo em desaceleração
Se há alguns meses a inflação mundial era a principal preocupação de líderes e analistas de mercado, hoje o tema que domina as conversas é a desaceleração da economia global.
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Mundo mostra sinais claros de desaceleração no ritmo de atividade econômica
Em um relatório recente, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) alertou para evidente desaceleração da atividade econômica em praticamente todos os países. E o Brasil não está imune. Pelo contrário, é a nação que mostra os sinais mais claros de esfriamento da atividade, segundo a OCDE.
Na avaliação do Banco Central brasileiro, “observa-se moderação do ritmo de atividade” do País, mas a economia “ainda continuará sendo favorecida pela demanda interna".
No cenário internacional, a autoridade monetária vê "possibilidade elevada de recessão" em alguns países devido à crise global, "em especial nas economias maduras".

http://economia.ig.com.br/criseeconomica/entenda-a-crise-economica-mundia/n1597248705930.html






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