quinta-feira, 11 de julho de 2013

46- PORQUE AS PESSOAS ODEIAM TANTO OS ESTADOS UNIDOS.

Robert Bowan
15 de junho de 2002

Tradução Imediata
Tradução da carta enviada ao Presidente dos EUA por Robert Bowan, Bispo da Igreja Católica da Flórida, Tenente Coronel e ex-combatente no Vietnã:







"Senhor Presidente:
Conte a verdade ao povo, Sr. Presidente, sobre o terrorismo. Se os mitos a respeito do terrorismo não forem destruídos, então a ameaça continuará até destruir-nos completamente.
A verdade é que nenhuma das nossas milhares de armas nucleares podem nos proteger dessa ameaça. Nem o sistema "guerra nas estrelas" — não importa quanto tecnicamente avançadas sejam, nem quantos trilhões de dólares tenham sido gastados com ele — poderá proteger-nos de uma arma nuclear trazida num barco, avião ou automóvel alugado. Nem sequer nenhuma aram de nosso vasto arsenal, nem sequer um centavo dos
duzentos e setenta bilhões de dólares despendidos por ano no chamado "sistema de defesa" pode evitar uma bomba terrorista; isso é um fato militar.
Como tenente-coronel aposentado e frequente conferencista de assuntos de segurança nacional, sempre cito o salmo 33 "Um rei não está a salvo por seu poderoso exército, assim como um guerreiro não está a salvo por sua enorme força". A reação óbvia é:
Então, o que podermos fazer? Não existe nada que possamos fazer para garantir a segurança do nosso povo?
Existe. Porém, para entender isso, precisamos saber a verdade sobre a ameaça.
Sr. Presidente, o Senhor não contou ao povo americano a verdade sobre o porque somos alvo do terrorismo, quando explicou porque bombardearíamos o Afeganistão e o Sudão. O Sr. disse que somos alvo do terrorismo porque defendemos a democracia, a liberdade e os direitos humanos no mundo.
Que absurdo, Sr. Presidente!
Somos alvo dos terroristas porque, na maior parte do mundo, o nosso governo defendeu a ditadura, a escravidão e a exploração humana. Somos alvo dos terroristas porque somos odiados. E somos odiados porque nosso governo fez coisas odiosas. Em quantos países agentes do nosso governo depuseram líderes eleitos por voto popular, substituindo-os por ditadores militares, marionetes desejosas de vender o seu próprio povo a corporações multinacionais norte-americanas?
Fizemos isso no Irã quando os marines e a CIA derrubaram Mossadegh porque ele tinha a intenção de nacionalizar o petróleo. E o substituímos pelo Xá Reza Palhevi e armamos, treinamos e pagamos a sua odiada guarda nacional - a Savak - que escravizou e embruteceu o povo iraniano para proteger os interesses financeiros das nossas companhias de petróleo.
Depois disso, será que é difícil imaginar que existam no Irã pessoas que nos odeiam?
Fizemos o mesmo no Chile, fizemos o mesmo no Vietnã, mais recentemente tentamos fazer a mesma coisa no Iraque. E claro, quantas vezes fizemos isso na Nicarágua e em outras repúblicas da América Latina?
Uma vez após a outra, destituímos líderes populares que desejavam que as riquezas de suas terras fossem repartidas entre o povo que as gerou.
Nós os substituímos por tiranos assassinos que venderiam seu próprio povo para que, mediante o pagamento de volumosas propinas para engordar suas contas pessoais, as riquezas de suas próprias terras pudessem ser tomadas pela Dominó Sugar, pela United Fruit Company, pela Folgers, e assim por diante.
Em cada país, o nosso governo obstruiu a democracia, sufocou a liberdade e pisoteou os direitos humanos. É por isso que somos odiados no mundo todo. É por isso que somos o alvo dos terroristas. O povo do Canadá desfruta da democracia, da liberdade e dos direitos humanos, assim como o povo da Noruega e da Suécia. O Sr. já ouviu falar que as embaixadas canadenses, norueguesas e suecas tenham sido bombardeadas?
Nós não somos odiados porque praticamos a democracia, a liberdade ou os direitos humanos. Somos odiados porque o nosso governo nega essas coisas aos povos dos países do terceiro mundo, cujos recursos são cobiçados pelas nossas corporações multinacionais.
Esse ódio que semeamos se voltou contra nós para assombrar-nos, na forma de terrorismo e, no futuro, terrorismo nuclear. Uma vez dita a verdade sobre porque existe a ameaça e uma vez entendida, a solução se torna óbvia.
Precisamos mudar nossos costumes. Livrar-nos de nossas armas nucleares (unilateralmente, se necessário) e a nossa segurança melhorará. Alterando drasticamente nossa política externa a assegurará. Em vez de enviar nossos filhos e filhas no mundo todo para matar árabes de modo que possamos ter o petróleo que existe sob suas areias, deveríamos mandá-los reconstruir suas infra-estruturas, fornecer-lhes água limpa e alimentar seus filhos famintos.
Ao invés de continuar matando diariamente milhares de crianças iraquianas com nossas sanções econômicas, deveríamos ajudar os iraquianos a reconstruir suas usinas elétricas, suas estações de tratamento de água, seus hospitais e todas as outras coisas que destruímos e que impedimos que reconstruam com as sanções econômicas.
Em vez de treinar terroristas e esquadrões da morte, deveríamos fechar a Escola das Américas.
Em vez de apoiar as revoltas, a desestabilização, o assassinato e o terror em todo o mundo, deveríamos abolir a CIA e dar o dinheiro que ela consome a agências de assistência.
Resumindo, deveríamos ser bons em vez de maus. Quem iria tentar nos deter? Quem nos odiaria? Quem desejaria nos bombardear?
Essa é a verdade, Sr. Presidente.
Isso é o que o povo norte-americano precisa escutar.
(Robert Bowan voou em 101 missões de combate no Vietnã. Atualmente é bispo da United Catholic Church em Melbourne Beach, Flórida).

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